Arquivos Mensais: Abril 2008

MANTER VIVAS AS MEMÓRIAS DE UM PASSADO MORTO

Quantas vezes paramos para pensar no nosso passado? Nos locais que visitamos, nas pessoas que conhecemos (mas que deixaram de fazer parte da nossa vida), nos momentos que vivemos, nas sensações que sentimos, nos sonhos que tivemos, nos objectivos que traçamos… Raramente.

Apenas paramos para reflectir (e nos deixamos levar pelo sentimento de nostalgia) quando nos deparamos com obstáculos. Algo que nos obrigue a parar e a reflectir sobre o modo como conduzimos a nossa vida.

Mas porquê? Porque é que não damos valor às coisas senão quando as perdemos? Tendemos a tomar tudo como certo. Raramente paramos para reflectir sobre o que é realmente importante para nós e lutamos que permaneçam. Temos consciência de que devemos valorizar tudo aquilo que dá sentido à nossa vida. Mas nunca o fazemos. E depois damos por nós a chorar a sua perda, a lamentar a nossa triste sina.

Sendo animais racionais (é isso que nos distingue de todos os outros seres vivos) deveríamos agir de forma mais consciente. Mas raramente o fazemos. Deixamo-nos muitas vezes levar pela emoção do momento. Agimos instintivamente, sem pensar que os nossos actos poder destruir o que está à nossa volta. Ferir aqueles que mais amamos.

***


O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO

Fui ao TNSJ ver o “Turismo Infinito”. Uma peça encenada pelo grande Ricardo Pais que nos leva a uma viagem pela cabeça daquele que foi o maior poeta português. O serão não só serviu para matar as saudades do teatro (ansiava há muito por ver uma boa peça) como reavivou a minha memória.

Sempre gostei da forma como Fernando Pessoa via o mundo. Revia-me em muitas coisas que ele escreveu. E a peça despertou a vontade de reencontrar o poeta. Parti então à descoberta da sua obra no mundo cibernáutico (é a forma mais simples e rápida de encontrar o que queremos nos dias que correm) e achei um poema que reflecte o meu estado de espírito neste momento: «O que há em mim é sobretudo cansaço».

 

O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

 

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

Essas coisas todas -

Essas e o que faz falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

 

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada -

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser…

 

E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço.

Íssimo, íssimo. íssimo,

Cansaço…

Álvaro de Campos


PEDRAS NO CAMINHO? GUARDO TODAS, UM DIA VOU CONSTRUIR UM CASTELO

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta…

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo.”


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