Arquivos Mensais: Junho 2008

HOTELLOUNGE [BE THE DEATH OF ME]

 

“This elevator only takes one down. She said: this place, this hotel lounge it’s my daily bread but I’m underfad. He asked: are you lying in the night cause I can tell you have a lousy imagination as a matter of speaking. I hate this situation but it happens to be one of my picking. Cause it’s so hard to keep the dream alive. Cause if it all domes down to this, how will you move me.

You move me, you move me around and around. I guess. Take it back your analogue, it’s on the other side of this. Cause if it all comes down to this, how will glamour survive.

She said: do you have another cigarette. I tend to forget. I hoisted the flag but it keeps hanging down. You know this place, this hotel lounge. It’s my life, it’s my choice and I’m in love with Ricky Lee Jones’s voice. Cause it’s so hard…

This elevator only takes one down. She said: this place in this same old town. Do you see that man in the left hand corner, do you see that woman their love story’s famous.”

dEUS

 


“ARRE, ESTOU FARTO DE SEMIDEUSES! ONDE HÁ GENTE NO MUNDO?”

Cada vez mais me convenço que vivemos num mundo de aparências em que as pessoas sentem uma [inexplicável] necessidade de demonstrar que são melhores que o próximo. A vida é feita de conquistas e de derrotas. Sendo que são estas últimas que nos fazem crescer e nos dão alicerces para ultrapassar as adversidades. É com os erros que tiramos as grandes lições e aprendemos.

Quando é que as pessoas vão ganhar coragem para assumir as suas falhas? Faz parte da condição humana… 

 

POEMA EM LINHA RECTA

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,

Para fora da possiblidade do soco;

Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,

Nunca foi senão – princípe – todos eles princípes – na vida…


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,

Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó princípes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!

Onde há gente no mundo?


Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado, 

Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

                             Álvaro de Campos


ENJOY THE SILENCE!

 

Com passar do tempo vamos descobrindo novos prazeres. Pequenas coisas que nos podem levar ao céu e restituir a paz interior. Recentemente aprendi a tirar o máximo partido dos momentos de silêncio. Gosto de dar azo à imaginação e perder-me com os meus pensamentos. Partir de objectos ou situações [muitas delas insignificantes] para um puro acto de divagação, mesmo em situações de convívio. Disperso-me com relativa facilidade. E gosto de partilhar momentos de profundo silêncio… É pena que poucas pessoas consigam lidar com isso!!

***

 

 

“Words like violence. Break the silence. Come crashing in into my little world. Painful to me. Pierce right through me. Cant you understand oh my little girl.

All I ever wanted. All I ever needed is here in my arms. Words are very unnecessary, they can only do harm.

Vows are spoken to be broken. Feelings are intense. Words are trivial. Pleasures remain. So does the pain. Words are meaningless and forgettable.

All I ever wanted. All I ever needed is here in my arms. Words are very unnecessary, they can only do harm.

Enjoy the silence!”

Depeche Mode

 


SOME THINGS COST MORE THAN YOU REALISE

O movimento MTV EXIT arrancou com mais uma campanha para consciencializar os jovens sobre questões relacionadas com os direitos humanos, nomeadamente o trabalho forçado, aexploração e o tráfico humano. Num vídeo, produzido em parceria com os Radiohead, que tem como banda sonora a música “All I Need” do álbum “In Rainbows”, acompanha a rotina de duas crianças, uma no ocidente e outra no oriente, cujos destinos se cruzam de uma forma cruel…

The UN estimates that at any one time there are 2.5 million trafficked victims in the world.

 


STOP TRAFFICKING

 

É de lamentar que, em pleno século XXI, se continue a assistir a situações repugnantes, que constituem um verdadeiro atentado aos direitos humanos.

Na Suíça estima-se que mais de três mulheres sejam vítimas de tráfego humano. Um pequeno vídeo [disponível em www.traitedesfemmes2008.ch] que faz parte da campanha de sensibilização que até ao final do mês acompanhará o Europeu de futebol, mostra o tratamento dado às centenas de jovens mulheres que todos os anos são leiloadas como gado e colocadas nas montras das casas de prostituição que [legalmente] existem no país.

As imagens passam nos estádios antes dos jogos, camufladas por uma série de publicidades de orçamento elevado. E, ainda que nenhum órgão oficial tenha conseguido estabelecer uma ligação directa entre os grandes eventos desportivos e o aumento da prostituição e consequente tráfico, tentam servir-se do mediatismo do evento para dar a conhecer esta realidade.

Mas será que resulta? Depois do jogo as pessoas vão-se lembrar do que viram?

***

 


AFTER YOU’R DEAD

[Foto: O triunfo da morte, de Pieter Brueghel o Velho, (1562)]

O que acontece após a morte? Vislumbramos o famoso túnel que culmina numa Luz radiante, pura e intensa? Somos confrontados com visões do paraíso ou do inferno? Temos encontros com anjos ou demónios que analisam a nossa conduta em vida e decidem sobre o nosso destino final? Se tivermos questões por resolver regressamos à terra para nos redimir ? Ou não acontece rigorosamente nada? Morremos e somos enterrados… Ponto final.

Bem, não sabemos. Podemos refugiar-nos nas nossas crenças para tentar perceber o que sucede ao momento em que abandonamos a vida terrena. Acreditar que há vida para além da morte para amenizar a inquietação que nos provoca o desconhecimento relativamente a este fenómeno e nos preparamos para o que aí vem. Podemos produzir teorias e alimentar o misticismo em torno da morte. Mas as certezas só surgirão quando alcançado o grande momento!

***


AFTER YOU’R DEAD [video]


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