Um final de tarde de Inverno… num cenário cinematográfico.

Pode-se dizer que é relativamente fácil ultrapassar uma ausência usando o subterfógio da dispersão de pensamento. Redireccionando a nossa atenção para outras pessoas ou canalizando a nossas energias para outras causas. Mas será que conseguimos, na realidade, esquecer que algum dia aquela pessoa fez parte da nossa vida?
Lamento desiludir quem acredita assim tanto no poder da mente, mas a resposta é claramente negativa. Não se esquecem os momentos que se partilham com alguém só porque se quer. Podemos arrumá-los num cantinho bem recondito do nosso baú de memórias para travar a sua libertação, mas não os apagamos definitivamente. Nem devemos. Por muito má que seja uma experiência devemos retê-la, tirar uma lição de vida.
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* from “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”
“Undenied” By Portishead
Cartazes com fundo cinza de onde sobressai um punho cerrado com contornos a negro e a palavra “LOVE” tatuada nos dedos. Corações como aqueles que se desenham nas árvores, atravessados por uma seta, com as seguintes mensagens:
André insulta Inês
Pedro domina Joana
Zé maltrata Ana
Isabel domina Luís
Rui agride Paula
A letras gordas, a assinatura: «Namoro Violento não é Amor». Um número de apoio e um endereço de uma página da internet com um nome sugestivo [www.amorverdadeiro.com.pt].
Assim se desenvolve uma campanha, promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra a Violência Doméstica, que tem por objectivo alertar para a existência de um crescente número de casos de violência nas relações de namoro entre adolescentes e jovens adultos. Durante três semanas será difundida a mensagem de que a «não violência é cool» em difrentes meios (televisão, cinema, imprensa, outdoor e postalfree), numa tentativa de restituir alguns valores a esta sociedade moderna.
Mas será suficiente? As pessoas vão ficar mais sensíveis a um problema social que começa a atingir dimensões preocupantes como este só porque são confrontadas com cartazes a cada esquina?
Gostava de acreditar que sim. Mas tenho sérias dúvidas.
A falhas no processo de educação que condicionam a formação da personailidade e a aquisição de valores nobres (e cada vez mais raros) como o respeito pelo próximo dificilmente serão colmatadas com uma simples campanha de sensibilização. Tem que partir dos pais e dos educadores, dois pilares essenciais que têm vindo gradualmente a desresponsabilizar-se das suas funções.
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Há muito que não deposito neste meu “baú cibernáutico” o que me vai na alma. Não por falta de tempo como tenho vindo a apregoar aos sete ventos, mas porque não tinha recebido ainda um estímulo suficientemente válido.
Andei com a mente adormecida até o meu mundo ser abalado por uma Pequena Kamikaze. Um tufãozinho tão avassalador como aquele que se diz ter salvo o Japão, em 1281, de ser invadido por uma frota líderada por Kublai Khan, conquistador do Império Mongol. Mas tão adorável que não resisto a dedicar-lhe estas sábias palavras de Ricardo Reis:
“ Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam. “
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