Cartazes com fundo cinza de onde sobressai um punho cerrado com contornos a negro e a palavra “LOVE” tatuada nos dedos. Corações como aqueles que se desenham nas árvores, atravessados por uma seta, com as seguintes mensagens:
André insulta Inês
Pedro domina Joana
Zé maltrata Ana
Isabel domina Luís
Rui agride Paula
A letras gordas, a assinatura: «Namoro Violento não é Amor». Um número de apoio e um endereço de uma página da internet com um nome sugestivo [www.amorverdadeiro.com.pt].
Assim se desenvolve uma campanha, promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra a Violência Doméstica, que tem por objectivo alertar para a existência de um crescente número de casos de violência nas relações de namoro entre adolescentes e jovens adultos. Durante três semanas será difundida a mensagem de que a «não violência é cool» em difrentes meios (televisão, cinema, imprensa, outdoor e postalfree), numa tentativa de restituir alguns valores a esta sociedade moderna.
Mas será suficiente? As pessoas vão ficar mais sensíveis a um problema social que começa a atingir dimensões preocupantes como este só porque são confrontadas com cartazes a cada esquina?
Gostava de acreditar que sim. Mas tenho sérias dúvidas.
A falhas no processo de educação que condicionam a formação da personailidade e a aquisição de valores nobres (e cada vez mais raros) como o respeito pelo próximo dificilmente serão colmatadas com uma simples campanha de sensibilização. Tem que partir dos pais e dos educadores, dois pilares essenciais que têm vindo gradualmente a desresponsabilizar-se das suas funções.
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4 Comentários
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Os maus tratos começam na falta de respeito que existe logo desde muito jovens por pais, amigos, educadores. É a semente e tudo nasce daí: da falsa consciência de que tudo nos está permitido impunemente.
Tenho um namoro que acredito ser estável, porém, sou mais velha que ele, quase 9 anos. O amo de verdade e tbm acredito no seu amor, o que ocorre são as crises constantes de ciumes por parte dele, se tornando cada vez mais agressivo, a ultima me deixou roxa.
Sei que posso estar sendo até mais senvergonha que ele por ainda estar levando adiante essa situação e ainda acreditando no seu posterior arrependimento.
Porém me pego as vezes pensando em como sair dessa situação sem me machucar. Tenho medo de me tornar mais uma vítima de mim mesma.
Olá Laura
Chamo-me Dafne Machado, sou jornalista do programa Tardes da Júlia e estou a prepara um tema sobre casos de violência no namoro. É importante sensibilizar as pessoas para os perigos neste tipo de relações evitando assim mais vítimas.
Pode responder para o meu email dafnelorenamachado@hotmail.com ou então para o 96 283 47 60.
Espero que pelo menos consigamos falar.
Boa tarde
Sou um rapaz e foi com contentamento que vi esta campanha. Especialmente pela inclusão da frase “Isabel domina Luis”. Infelizmente nos dias de hoje a violência já não ocorre apenas por parte de um dos géneros. Embora a ênfase ainda seja dada à violencia que infelzimente ocorre por parte do namorado com a namorada, a verdade é que o ter sido incluida essa frase é um sinal de evolução e da percepção da infeliz realidade dos dias de hoje. São cada vez mais os casos que conheço e eu próprio vivi isso. Casos de raparigas que ja tinham experiencia sexual e fizeram os seus namorados sentirem-se mal com eles proprios na sua primeira vez por nao ter corrido bem… são imensos mesmo. São formas de violência diferentes, mas igualmente auto-destrutivas para quem as vive.
Foi uma campanha muito interessante e que espero ver novamente em anuncios para nao cair no esquecimento, embora uma campanha por si só não faça milagres, pois a educação deve vir de casa… qualquer ajuda é sempre bem vinda.