Arquivo da Categoria: thoughts

A SAUDADE NÃO MATA, MAS CORRÓI…

Dava tudo para te ter aqui ao meu lado neste preciso momento… Ouvir a tua voz, sentir o calor do teu abraço e ver aquele sorriso luminoso estampado na tua cara.

A cada dia q passa sinto mais a tua ausência. entro em tua casa, olho para o cadeirão azul da salinha e dou por mim a imaginar que estás lá sentado. Fecho os olhos e consigo ouvir a tua voz a comentar os assuntos da actualidade ou a chamar a atenção da avó para algo que está a dar na televisão e que é do interesse dela.

As reuniões familiares mantêm-se. Os laços que nos unem estreitaram-se com a tua partida… mas não consigo deixar de sentir esta sensação de vazio. Falta o teu carisma. O orgulho que sentias ao ver a família toda reunida (e que fazias questão de demonstrar) tornavam cada encontro num momento especial…

O teu número continua gravado no telemóvel… Sei que não me serve de nada, porque se fizesse uma chamada do outro lado ouviria apenas silêncio. Lamento não ter utilizado o teu número mais vezes, nem que seja para dizer que te adoro… Foste, és e sempre serás uma das pessoas mais importante da minha vida! És Rei e Senhor deste castelo que vou construindo com as pedras que encontro pelo caminho!!

***


HAPPY HOLIDAYS

 

کریسمس مبارک

zz1ff4da85

 

Feliz Natal * Feliz Navidad * Buon Natale

Happy Thanksgiving * Merry Christmas


“You can erase someone from your mind. Getting them out of your heart is another story.” *

 

Pode-se dizer que é relativamente fácil ultrapassar uma ausência usando o subterfógio da dispersão de pensamento. Redireccionando a nossa atenção para outras pessoas ou canalizando a nossas energias para outras causas. Mas será que conseguimos, na realidade, esquecer que algum dia aquela pessoa fez parte da nossa vida?

Lamento desiludir quem acredita assim tanto no poder da mente, mas a resposta é claramente negativa. Não se esquecem os momentos que se partilham com alguém só porque se quer. Podemos arrumá-los num cantinho bem recondito do nosso baú de memórias para travar a sua libertação, mas não os apagamos definitivamente. Nem devemos. Por muito má que seja uma experiência devemos retê-la, tirar uma lição de vida.

***

 

* from “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”

“Undenied” By Portishead


“NAMORO VIOLENTO NÃO É AMOR”

 

amorverdadeiroCartazes com fundo cinza de onde sobressai um punho cerrado com contornos a negro e a palavra “LOVE” tatuada nos dedos. Corações como aqueles que se desenham nas árvores, atravessados por uma seta, com as seguintes mensagens:

André insulta Inês

Pedro domina Joana

Zé maltrata Ana

Isabel domina Luís

Rui agride Paula

 

A letras gordas, a assinatura: «Namoro Violento não é Amor». Um número de apoio e um endereço de uma página da internet com um nome sugestivo [www.amorverdadeiro.com.pt].

Assim se desenvolve uma campanha, promovida pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género contra a Violência Doméstica, que tem por objectivo alertar para a existência de um crescente número de casos de violência nas relações de namoro entre adolescentes e jovens adultos. Durante três semanas será difundida a mensagem de que a «não violência é cool» em difrentes meios (televisão, cinema, imprensa, outdoor e postalfree), numa tentativa de restituir alguns valores a esta sociedade moderna.

Mas será suficiente? As pessoas vão ficar mais sensíveis a um problema social que começa a atingir dimensões preocupantes como este só porque são confrontadas com cartazes a cada esquina?

Gostava de acreditar que sim. Mas tenho sérias dúvidas.

A falhas no processo de educação que condicionam a formação da personailidade e a aquisição de valores nobres (e cada vez mais raros) como o respeito pelo próximo dificilmente serão colmatadas com uma simples campanha de sensibilização. Tem que partir dos pais e dos educadores, dois pilares essenciais que têm vindo gradualmente a desresponsabilizar-se das suas funções.

***


“SEGUE O TEU DESTINO”

Há muito que não deposito neste meu “baú cibernáutico” o que me vai na alma. Não por falta de tempo como tenho vindo a apregoar aos sete ventos, mas porque não tinha recebido ainda um estímulo suficientemente válido.

Andei com a mente adormecida até o meu mundo ser abalado por uma Pequena Kamikaze. Um tufãozinho tão avassalador como aquele que se diz ter salvo o Japão, em 1281, de ser invadido por uma frota líderada por Kublai Khan, conquistador do Império Mongol. Mas tão adorável que não resisto a dedicar-lhe estas sábias palavras de Ricardo Reis:

 

Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.

 

A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.

 

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras

Como ex-voto aos deuses.

 

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.

 

Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.

 

***


PLAISIR PARTAGER

sidaction

ensemble contre le sida

 

 

magnifique!!!


“ARRE, ESTOU FARTO DE SEMIDEUSES! ONDE HÁ GENTE NO MUNDO?”

Cada vez mais me convenço que vivemos num mundo de aparências em que as pessoas sentem uma [inexplicável] necessidade de demonstrar que são melhores que o próximo. A vida é feita de conquistas e de derrotas. Sendo que são estas últimas que nos fazem crescer e nos dão alicerces para ultrapassar as adversidades. É com os erros que tiramos as grandes lições e aprendemos.

Quando é que as pessoas vão ganhar coragem para assumir as suas falhas? Faz parte da condição humana… 

 

POEMA EM LINHA RECTA

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,

Para fora da possiblidade do soco;

Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,

Nunca foi senão – princípe – todos eles princípes – na vida…


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,

Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó princípes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!

Onde há gente no mundo?


Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado, 

Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

                             Álvaro de Campos


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.